Um cinema movido à energia solar

Publicado em 16/02/2017

Conheça a história do Cinesolar, um projeto de cinema itinerante que usa duas vans equipadas com painéis solares no teto como fonte de energia para exibir filmes ao redor do Brasil.

Duas vans atravessam o Brasil e, nas mais de 200 cidades onde pararam, uma equipe exibe filmes nacionais e documentários sobre sustentabilidade. Oficinas de arte são outra iniciativa. Com início em 2013, o Cinesolar já chegou a 67 mil pessoas, sempre de forma gratuita. E a energia para a exibição dos filmes vem do sol, ‘captado’ por placas fotovoltaicas instaladas no teto dos veículos. As duas vans do Cinesolar, um projeto da Brazucah Produções, possuem o Selo solar.

De acordo com Cynthia Alario, idealizadora e coordenadora do projeto, o Selo Solar foi importante para dar visibilidade à iniciativa. “Foi fundamental para nos chancelar, para mostrar que usamos energia solar fotovoltaica. O Selo legitima nosso trabalho, tanto para as comunidades onde exibiCinesolarmos os filmes, como para as empresas que nos patrocinam”, avaliou.

O Selo Solar  tem justamente este objetivo: dar forma a algo que não se vê: a transformação da energia solar em energia elétrica. As duas vans do Cinesolar receberam o Selo – uma em abril de 2015 e a outra em setembro de 2016 – por serem iniciativas socioambientais, uma categoria destinada a projetos que tenham cunho social e que contribuem para a conservação ambiental. O Selo é uma iniciativa do Instituto IDEAL  com apoio do  e Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da GIZ e KfW.

As vans são equipadas com módulos solares na cobertura do veículo e com um inversor. A energia solar então transformada em energia elétrica, é armazenada em baterias, resultando em uma autonomia de cinco dias de atividades. “Brincamos que é um veículo que nunca procura sombra. Carrega na viagem, na garagem, no estacionamento”, contou Cynthia.

As vans chegam a uma cidade – muitas delas não têm cinema ou mesmo luz elétrica, algumas são comunidades e aldeias indígenas – e despertam curiosidade. Os próprios veículos se tornam ferramentas pedagógicas, com infográficos e monitores. A partir disso, são transmitidas informações sobre os princípios da energia solar e mostrados produtos de sustentabilidade e tecnologias renováveis, com aplicações práticas no dia-a-dia.  “O público quer ver como funciona a van. Dá a volta no carro, questiona”, disse Cynthia.

A van é equipada com 100 assentos para o público, telão de 200 polegadas, sistema de projeção e som e até um estúdio de gravação. São exibidos documentários sobre sustentabilidade e um filme nacional. Além disso, são realizadas oficinas culturais. Uma delas é a ‘Oficinema Solar’. Geralmente feita com estudantes, parte-se dos problemas socioambientais da região e se buscam soluções para os problemas apresentados. A parceria com o Instituto IDEAL já tem anos. Além de possuírem o Selo Solar, as cartilhas “Eletricidade Solar”, realizadas pelo Instituto, são distribuídas nas sessões e representam um importante material de apoio.

 

 

O funcionário público que acreditou no Sol

Publicado em 16/01/2017

Conheça a história de Ricardo Marcelino Santana, um funcionário público interessado em energias renováveis, que instalou um sistema FV em sua casa e encampou a luta pela isenção do ICMS para geração distribuída em seu estado.

Ricardo Marcelino Santana, 39 anos, costumava acompanhar com interesse as notícias do setor de energias renováveis. E, após a publicação, em 2012, da Resolução Normativa 482 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) – que regulamentou a micro e a mini geração de energia -, o funcionário público decidiu instalar um sistema fotovoltaico na sua casa em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Com o equipamento, passou a economizar ao redor de R$ 200 por mês e espera recuperar o valor investido em cerca de oito anos.

O funcionário público diz ser um entusiasta das energias renováveis. “Eu acompanhava as notícias, os projetos pilotos desenvolvidos por universidades, como os da UFSC. E aguardava o momento de produzir minha própria energia. Com a publicação da resolução da ANEEL, procurei uma empresa na minha cidade e adquiri um sistema fotovoltaico. É um conforto saber que minha energia vem de uma matriz limpa”, falou.

Mas alguns entraves o incomodaram neste processo. O primeiro foi o custo inicial do sistema. Em 2013, Ricardo desembolsou RS 17 mil. “Em termos de investimento, a perspectiva é de recuperar o valor gasto no sistema em até oito anos com a economia gerada. Como a vida útil do equipamento é de aproximadamente 25 anos, a partir do nono ano terei energia em casa praticamente de graça”, avaliou.

marcelino

Além disso o funcionário público se sentiu injustiçado com a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que ficava entre R$ 30 e RS 50 por mês. Como ele produzia a própria energia, não fazia sentido pagar o tributo. Junto com outros consumidores e com a empresa que instalou o sistema, entrou com uma ação judicial e conseguiu a suspensão da cobrança em caráter liminar. Esse é um tema que tem gerado debate em todo o Brasil, mas que tem avançado. Atualmente, apenas cinco estados ainda cobram ICMS para quem gera a própria energia. O último a anunciar que deixaria de fazer a cobrança, em dezembro passado, foi justamente o Mato Grosso do Sul.

Ricardo instalou o sistema fotovoltaico no início de 2013 e obteve o Selo Solar, uma iniciativa do Instituto IDEAL com apoio do WWF-Brasil e da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da GIZ e KfW, em novembro do mesmo ano. Tudo isso gerou curiosidade nos vizinhos. “A maioria não sabia sequer a diferença entre uma placa fotovoltaica e uma placa de aquecimento de água por irradiação solar. Todos com quem comento sobre o sistema acham muito legal e são simpáticos à ideia, mas acham onerosa a despesa inicial com a aquisição e instalação.”

Os interessados em seguir o exemplo Ricardo Marcelino Santana têm uma série de ferramentas para adquirir conhecimento e até simular o investimento e a economia a partir da geração da própria energia. Acesse http://americadosol.org/conhecimento-em-energia-fotovoltaica.

 

 

O Contador de Videira

Publicado em 24/02/2016

Conheça a história do morador de Videira, interior de Santa Catarina, que instalou um sistema FV no telhado de sua casa, quase zerou a conta de luz e não se preocupa mais com os aumentos da tarifa de energia.

Marcelo Colle - Selo Solar

Crédito: Marcelo Colle

Os aumentos na conta de luz que têm assustado muitos brasileiros não são motivos de preocupação para o contador Marcelo Colle, de 43 anos. Desde novembro de 2013, ele produz sua própria eletricidade, vinda de um sistema fotovoltaico (FV) instalado no telhado de sua casa, em Videira (SC). Com uma geração mensal média de 200 kWh, ele tem economizado cerca de R$ 140 por mês, alcançando uma economia anual de  R$1.680.

Na época, a decisão pelo investimento, da ordem de R$ 18.000, foi motivada por questões ambientais. “Mas hoje eu incluiria o fator de retorno do investimento financeiro. A possibilidade de conectar o microgerador à rede de distribuição de energia foi fundamental para melhorar a viabilidade econômica do investimento”, ressalta. A rede funciona como uma “bateria” para armazenar a energia que não é consumida no momento em que é gerada.

Devido ao Sistema de Compensação de Energia, criado pela Resolução Normativa 482/2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a energia excedente produzida pelo microgerador do Marcelo é injetada na rede elétrica e ele recebe uma compensação, em kWh, de sua distribuidora por essa energia. Ou seja, a cada mês, ele paga somente o valor da diferença entre a energia consumida da rede pública e o que foi gerado e injetado na rede. Como seu microgerador gera praticamente toda a energia que ele necessita, no caso do Marcelo, o valor pago é apenas o custo de disponibilidade.

Exemplo para os vizinhos

Marcelo não esconde a satisfação com a decisão de ter instalado um microgerador solar. “Tenho certeza de que foi um bom investimento, pois sei que estou economizando e fazendo minha parte em relação à energia limpa e sustentável do nosso país”, afirma.

Sua instalação inclusive serviu de exemplo para amigos e vizinhos. “Muitos amigos gostaram, alguns já aderiram e estão gerando a própria energia. Eu continuo recomendando”, diz. Segundo Marcelo, pioneiro na instalação de um sistema no município, a cada nova instalação, mais pessoas ficam interessadas na tecnologia.

Como ele, hoje já são mais de 1600 consumidores brasileiros que produzem sua própria energia a partir da geração fotovoltaica.

Se você também quer fazer como eles, comece pelo nosso Simulador Solar, e calcule o tamanho de um sistema FV indicado para sua demanda energética.